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SUPERNOVA

Tomei consciência em uma galáxia a 11 bilhões de anos-luz de distância, quase no limite do Universo visível. Não sabia como chegara até lá, nem em que tipo de veículo me encontrava. Sabia, não sei bem como, que me afastava de mim cada vez mais rapidamente. Parecia que estava definitivamente prestes a desvendar o destino do Universo, mesmo sem ter ideia do que isso poderia significar. Não percebia nenhum padrão conhecido, de nada me serviam os conceitos que conhecia, nem as premissas de classificação que aprendera, tudo era mistério.


Massas compactas de matéria deslocando-se no Universo  emitiam luzes tênues, um silêncio profundo, quase palpável, comprimia meu corpo, na verdade não “meu corpo” e sim um ponto no espaço em que minha consciência se concentrava. Parabrahman respira. Tudo é estranho, alheio a definições que conheço. Não há como descrever o encadeamento de fenômenos em termos linguísticos conhecidos. Qualquer aproximação seria inútil.


Nem mesmo o tempo evolui em termos conhecidos, saltos à frente, saltos para trás, contrações, dilatações e turbulências desfazem a continuidade habitual. Simultaneidade de eventos, similaridade e uma mistura imprecisa de sincronismo e assincronia que confunde passado, presente e futuro.  Velocidades imensuráveis e o “Coelho de Alice” aparece e desaparece na paisagem com seu relógio mágico.


Sistemas de estrelas duplas dançam com Shiva destruindo matéria em seu louco deslocamento cósmico.  A quantidade de evidências, fatos, eventos e fenômenos enlouqueceriam supercomputadores e todos os homens de ciência que já habitaram nosso planeta. Explosões bizarras emanando matéria em todas as direções do espaço-tempo. “Buracos de minhocas” como passagens espaço=temporais de ida e volta ampliando o horizonte de possibilidades, “Buracos negros” mostrando um caminho sem volta. E o “Coelho de Alice” continua correndo pelo Universo, sempre atrás do tempo, deslocando-se no espaço.


Energia escura faz o Yin para o Yang da gravidade mantendo a expansão-contração do Universo.Sinto-me indefinivelmente estranho nessa condição de consciência extraterrena. As certezas do cotidiano aniquiladas, sem continuidade, Deuses estão mortos. Ventos solares e explosões dentro de explosões espalham material em todas as direções do espaço e do tempo. A “Gigante vermelha” se entrelaça com a “Anã branca” desencadeando novos fenômenos que não compreendo. O grande enigma continua e não cheguei nem perto do “Grande Arquiteto”.



Escrito por Daniel às 22h13
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GULAG

Em condição cada vez mais solitária tenho observado o mundo desde meu Gulag. O mundo caminhando e eu num limbo terreno do qual não posso descer e pegar, ou fazer, aquilo que desejar. Uma condição prisional sem crime, julgamento ou processo penal. Num isolamento social quase completo, contemplo cada ato com distanciamento real. O telefone parou aos poucos de tocar até um silêncio constante, na era da comunicação a nulidade em todas suas formas.

Mergulhado em páginas de livros arcaicos deliro perdido em cidades distantes no espaço e no tempo. Vivo os sonhos de personagens fictícios que sonham sem parar. A rotina esmagadora em meu Gulag priva-me, também, de um sono e refeições constantes. Esse sono interrompido que martela os nervos como um forjador de espadas. Emoções repentinas aplicadas implacavelmente a um sistema nervoso em frangalhos. Tudo muito além dos limiares suportáveis. Sempre aquém da possibilidade de pensar antes de agir.

Uma fenda sempre prestes a se abrir e engolir tudo triturando qualquer estrutura estável, a insanidade beirando a normalidade numa tensão sem fim. Vida interrompida, mantida em um cruel estado suspenso que não permite o porvir. Uma dimensão onde se aniquilam as amizades, a compaixão, a ternura e as esperanças de qualquer tipo. Um lugar onde a humanidade é destituída por uma realidade sufocante, cuja única porta me leva a uma cidade desconhecida e esmagadora.

Muito cruel este meu Gulag, pois me mantém em isolamento solitário com a vida ao alcance. Horizontes de possibilidades à distância de um passo. Acompanha-me a todos os lugares, como se a cada passo para aproximar-me, mais me distanciasse. Como se minhas palavras fossem proferidas em uma língua desconhecida e todos me falassem em um idioma que não compreendo.

Minha consciência já deu saltos a abismos inalcançáveis, não tenho como voltar atrás para recuperar uma aparente normalidade. Fui lançado de alguma forma a uma dimensão paralela que me impede qualquer comunicação ou contato humano. Tornei-me uma aberração de mim mesmo, desconhecendo-me a cada manhã que olho o espelho. Não tenho orelha para cortar, pulso para sangrar ou crânio para atirar.

Esta è minha condição no primeiro dia do despertar de consciência que tive em meu Gulag.



Escrito por Daniel às 17h16
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ÁTÉ 17/10/2010 NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO - CCSP

Rua Vergueiro, 100 - Paraíso (Próx ao Metrô Vergueiro)

 



Escrito por Daniel às 19h13
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Na incerteza da espera aprimorou sua paciência de caçador. Como à espreita em uma rocha do alto da colina observava os vales das palavras humanas. Como se elas formassem uma paisagem distante em um mundo paralelo. Sabia que vagava por mundos distantes sem um corpo para acompanhá-la. Em sonhos tocava seus cabelos somente para aspirar seu perfume. Noites vigilantes, dias em fadiga. Entregava-se a revisar seus erros removendo cada superfície de possibilidade não realizada. Nesses ciclos observava e esperava.

Queria dizer-lhe que nesses campos todos vagavam confusos e perdidos, mas que quando desistiam se agarravam a fantasias idealizadas e se dispunham a morrer por isso. Refugiavam-se em complexas fantasias de si mesmos acreditando em uma outra realidade que criavam. Obliteravam seus sentidos selecionando percepções possíveis. Tiranizados por uma cognição direcionada pela sintaxe construíam nichos seguros reduzindo o universo a um conjunto de poucas variáveis limitando as possibilidades. Dessa forma as palavras que ditavam ganhavam a força de regras inevitáveis determinando cada ação de outras pessoas tornando-as humanas.

Ele espreitava e se calava. Procurando forças para manter-se afastado dessa segurança que o sugava com sua gravidade intensa. Buscava formas de economizar energia suficiente para reconstruir-se enquanto aguardava. Ansiava por um instante em que pudesse contar-lhe as novas trilhas que encontrara. Ansiava por seu próximo alento que lhe permitira materializar-se novamente ante seus olhos. Esperava-a como um ser que se equilibrasse na tensão superficial da água e dependesse da consciência de cada partícula que compunha seu corpo. Num estado de guerra com a morte à espreita a cada instante, em um movimento muito mais que aparente. Como uma bolha de água prestes a estourar à menor turbulência do ar. Apenas para viver mais um momento sem esperar nada da vida. Esperava que ela pudesse respirar sozinha.



Escrito por Daniel às 02h58
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WAKE UP

No século XX acordava assim

 

No século XXI acordo assim

Good Morning Pathetic New World !



Escrito por Daniel às 08h59
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Seguinte! Se não entendeu é assim!

Menos do que isso vai tomar nos canos! Sem chance!

O negócio aqui é rockn'n roll!

"To live or gone die!"

 Tá sabendo!

Gelatina de merda!

You gona realy get down!



Escrito por Daniel às 04h31
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EFEITOS DE "MÚSICA PARA NINAR DINOSSAUROS" - PRA OUVIR NO TALO

Solidão profunda encontrada em uma esquina do passado. Passos silenciosos que se infiltram nas entranhas inesperadamente e me fazem ver. Sem açúcar meu café nesta noite de outono, nada doce em meus pensamentos. Sem saída para fugir de mim. No silêncio de minha mente encontro movimentos suaves, ou pelo menos penso assim. Arrebato seus olhos e os carrego para céus imaginários.

Sem doçura esta noite, apenas a sequência de dias repetitivos de uma dor sem fim. Ela disse sim e acreditei. Falávamos sobre todas as coisas, a falta de coragem de deixar alguém, a falta de alguém que não suportávamos. Como um caminho que não termina, ou um problema sem solução. Reconhecendo erros, mas mantendo a opinião. Dirigindo por ruas desertas à procura de algo que se quer encontrar. Lugares presentes deixados para trás.

Celebrar a vida com uma taça de vinho enquanto emanações lisérgicas se espalham pelo sangue. Estacar ante a mulher esplêndida e esquecer a morte por uma noite e nem perceber a queda do céu sobre a cabeça. Prender o fôlego e ir em frente certo ou errado para ver o fim.

 

 

Fora, na estrada, há tantos dias que não sei mais. A noite passada em um bar com milhares de mariposas morrendo torradas na luz. A cona universal pulsa causando um big bang e tudo parece natural. O andar da Suzie é todo um espetáculo para se olhar. Não importa que eu não seja um rei. Há muitas belas que me fazem passar bem nesta noite.

Ando com fúria. Fujo pra qualquer lugar, ou apena caminho para sentir a garoa no rosto. Sempre estou chegando a algum lugar, sempre estou partindo. No caminho sempre um bar, milhares de bares que são sempre o mesmo bar. No fim da noite, quando o sol começa a esquentar, as mesmas crianças descalças de pés sujos caminhado de lá pra cá. Um vira-lata enroscado ao sol afasta suas pulgas sem acordar. Não importa se os sinos anunciam a missa da manhã, um enterro, ou se a festa está para começar, é sempre o mesmo sino que soa sem parar.

 

De qualquer forma continuo acordando toda manhã assustado com um alarme que soa urgente. Um chamado para me perder na cidade. No meio de uma multidão frenética que caminha carrancuda para algum lugar. Mulheres belas com tristeza no olhar. Homens sisudos com arrogância e certeza no andar. Seres imortais que carregam a certeza do fanático intolerante que a tudo responde para se auto-afirmar. Mas eu paro enquanto a multidão passa empurrando-me de lá pra cá e lanço minha importância pro ar. Num arco imperfeito evito o caminho e fico a um lado sem me preocupar. Apenas contemplando as pessoas a caminhar.

KATZO SEUS DINOSSAUROS!



Escrito por Daniel às 02h52
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PALAVRAS?

Caminhava com determinação. Parecia saber o caminho a algum lugar. Sol inclemente, vegetação agressiva, rochas ameaçadoras. Cada brilho, cada sombra oferecendo contornos impossíveis. Suor escorrendo por todo o corpo. Uma brisa suave soprando inesperada de um lado ou outro. Passos silenciosos, respiração controlada. Varrendo tudo com os olhos sem parar. Num ponto distante no horizonte a terra sobe, fechando uma planície que parece infinita. A sua esquerda uma voz lhe sussurrava “Observe tudo captando sua essência, absorva a realidade da existência, podem ser seus últimos passos nesta terra”.

Mais que um som, ou um odor, uma presença se fez sentir. Os olhares de encontraram. Permaneceram imóveis sustentando seus olhares. A mesma brisa os banhava. Tomaram a máxima consciência um do outro. Uma ponte se criou entre ambos sem tocar o solo. A tensão aumentando a cada instante. Um calor diferente invadindo seus corpos. A consciência de cada músculo. A certeza de compartilhar a mesma terra. Uma inspiração profunda, uma expiração ruídos, lenta. Concordam as cabeças em uma cumplicidade muda. Os olhares se afastam. Cada um retoma seu caminho.



Escrito por Daniel às 02h11
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SUR

Vuelvo al sur, a una Buenos Aires mítica  de bandoneones imaginarios y cielos rasos enormes. Camino por calles desconocidas a buscar un amor que nunca tuve. Ojos desconocidos me llenan de temblores. Labios que nunca he visto me prometen silenciosos sueños de verano. Una calle larga se pierde en la distancia y me recuerda el exilio, remolinos de sentimientos que viene sin avisar y me revuelven las entrañas.

Noches tristes de soledad porteña se mesclan con mi insomnio.  Silencio en un tango extraño  cuando paro para respirar. Resuena tu caminar en esas calles silenciosas. Busco tu sombra entre las luces de la ciudad. Como si fueras un amor loco que no pudiera ocurrir o un miraje imposible de alcanzar. Mi corazón se pierde en la niebla de tus cabellos al viento, dibujando olas en el aire de un otoño callejero que no quiero olvidar. Vuelvo al sur para buscarte una vez más, mujer misteriosa de una tierra lejana que me llama por las noches sin parar.



Escrito por Daniel às 17h53
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BROWN LADY

Primeiro ouvi, sem emoção, falar de ti. Contavam-me tuas façanhas como se te conhecesse. Não senti nenhum um pulso de interesse, não criei expectativas. O acaso me fez conhecer-te em uma trade de verão, depois encontros esporádicos em noites tumultuadas, rápidas, uma sombra se afastando na multidão. Imagem diáfana, palavras diluindo-se na brisa ocasional. Ainda assim nem mesmo a materialização.

Tempos depois fui testemunha distante, frio, encarando tudo como um hipotético problema intelectual. Ainda eras apenas uma imagem virtual. Interpunha um universo entre nós. Não reagia aos toques fortuitos sem intenção. Muitas noites, outras multidões, mais palavras ao vento e a distância mantendo-se fixa. Alguns momentos de cumplicidade infantil desinteressada e nada mais.

Então sem aviso, como outra tempestade de verão, fotografei teu rosto na multidão. Como se te visse pela primeira vez. No frescor da noite apenas tua imagem preenchia a paisagem apesar de tua embriaguês.  Nesse instante quis te levar dali, te tocar, como nunca o fiz me sentir em ti. Sequestrar-te para um universo desconhecido.

Cada toque de tuas mãos enviando-me a um milhão de incertezas, derrubando muros, deixando-me sem direção, como o vento que levava tuas palavras. Atravessando a noite rumo ao dia final. Sem temer que fosse um sonho unilateral te absorvendo de diversas maneiras te desejei como nunca supunha fazê-lo. Em minhas mãos teu perfume acompanhou-me enquanto fugia como que de uma maldição.

Agora te sonho nos dias de outono e te mantenho à distância sem o querer. Sinto tua falta sem ter chegado próximo de um dia te possuir. Te quero sonho como uma musa febril. Como oráculo de minha morte sem fim. Continuas diáfana nas escadas de minha solidão.



Escrito por Daniel às 18h41
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OUTRA NOITE DE VERÃO

Agora no silêncio da madrugada posso avaliar melhor. Peggy Lee me faz entender melhor a Febre que sinto, o calor ajuda. Poucos sons, a cidade parece vazia. Até os lixeiros parecem lento no ar parado. Cigarro no canto da boca, gotas de suor escorrendo pelos cantos da testa. Volta a vertigem de não poder desviar o olhar. Uma voz suave descreve o que seria “Se os sonhos se tornassem realidade”. Não sonho. Penso em que aconteceria se os desejos se tornassem realidade. Fragmentos de imagens no tempo compõem, aos poucos, tua imagem. Lembro do adeus que precede o início de um novo caminho. Se ao menos pudesse esquecer aquele sorriso teu que roubei em um olhar furtivo, poderia afastar esta insônia que me faz rolar na cama vazia.



Escrito por Daniel às 04h11
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GLÓRIA

_ Ei! Você está no limite?

 

Ela me perguntou naquele balcão mal iluminado de bar. Da rua um ronco constante de milhares de motores traziam gases em lufadas. As vibrações ao ritmo de ondas do mar. Ao ritmo do pulsar de meu corpo. Uma mistura de circulação e respiração. Ondas de fora para dentro que se chocavam com ondas de dentro para fora. Somente tomando mais um trago para limpar a garganta e poder falar.

 

_ Na verdade ultimamente penso que vivo no limite! Sempre com uma escolha para fazer! Sem chance de errar! Pulsando e indo em frente sem pensar!

 

O sol evidencia as partículas de poeira que vêem da rua. ‘Malditos carros!’ penso enquanto tomo outro trago. Ela afaga meus cabelos em desalinho e toca com sua mão quente minha coxa. Algo de humano desperta em algum lugar. Um turbilhão de pensamentos tenta romper a última barreira em vão.

 

Silêncio no caos.

 

Olho para fora, muito além da fumaça e dos carros, nos prédios e ruas, busco uma visão que não conheço. A mentira de uma juventude eterna que descarta a morte que me acompanha há tempos. Uma paisagem turbada pelos sonhos descartados a cada manhã de ressaca. Dias de inconsciência, incoerentes e sem memórias contínuas. Fragmentos de uma vida que salta de um lugar ao outro sem conclusão. Apenas a velocidade de ir em frente sem olhar pra trás. Efeito Doppler na luz, não sei se me aproximo ou me afasto. As rugas em meu rosto não se cansam de avisar, ‘Os anos vieram para ficar!’.

 

Apesar das preces observo a guerra não declarada ceifando vidas, tudo prestes a estourar. Ouço os slogans intolerantes ecoando pelas ruas da cidade, como sentenças de mortes que devem se executar. Parece-me como se estivéssemos esperando algo acontecer para libertarmos as armas de aluguel para atirar. Tudo porque não desvendamos nossos grafites nas paredes perdidas da solidão. Lágrimas que caem como vidro quebrado dilacerando o coração. Ela me afaga os cabelos com carinho e nem mesmo sei seu nome nesta noite de verão. Como se no limite houvesse anjos prontos a dar um amor imortal em meio a uma interminável luta.

 

‘Deve ser uma alucinação!’, penso pedindo outra dose. No espelho à minha frente garrafas impedem meu olhar. Não quero encará-la, o calor de suas mãos invade meu corpo. As luzes aumentam o ronco da rua diminui. O bar começa a encher e as vozes invadem todos os cantos. Sinto seu perfume, lembra-me um incenso e me faz pensar em lugares exóticos que não posso imaginar. ‘Glória’ passa-me pela mente como uma explosão, perturbando meu espírito milenar. Um nome que repentinamente parece vir da multidão que invadiu o bar.



Escrito por Daniel às 05h07
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WAR

Confronto, confusão, perplexidade hipnotizam corações e mentes por trás de olhos incrédulos e sem culpa. De um lado quem lança o projétil, de outro quem o recebe, um jogo insano que acontece nas batalhas. Wirro (confronto) que poderia ser evitado, desnecessário à humanidade. Milênios de werre (guerre, guerra) peolo domínio do mais fraco, pela imponência da majestade. War (guerra) pela defesa dos interesses camuflados por uma liberdade  de obedecer a tirania da maioria.

Eu conhecia a deste cara, (Bruce Springsteen), de 1986 ou por aí.

Mas como sou curioso e desconfiado encontrei a original de Edwin Starr do ano de 1969, quarenta e um anos atrás – embora o vídeo tenha como ano de referência 1970 – e o pior, nada mudou.

 

A letra é de Edwin Starr (1969).

WAR

War
What is it good for
Absolutely nothing
War is something that I despise
For it means destruction of innocent lives
For it means tears in thousands of mothers' eyes
When their sons go out to fight to give their lives

War
What is it good for
Absolutely nothing
Say it again
War
What is it good for
Absolutely nothing

War
It's nothing but a heartbreaker
War
Friend only to the undertaker
War is the enemy of all mankind
The thought of war blows my mind
Handed down from generation to generation
Induction destruction
Who wants to die

War
What is it good for
Absolutely nothing
Say it again
War
What is it good for
Absolutely nothing

War has shattered many young men's dreams
Made them disabled bitter and meanLife is too precious to be fighting wars
each day
War can't give life it can only take it away

War
It's nothing but a heartbreaker
War
Friend only to the undertaker
Peace love and understanding
There must be some place for these things today
They say we must fight to keep our freedom
But Lord there's gotta be a better way
That's better than
War

War
What is it good for
Absolutely nothing
Say it again
War
What is it good for
Absolutely nothing

Enquanto as medidas de deter as mudanças climáticas globais fracassaram, para o deleite de muitos, em Kopenhagen, aqui, no paraíso tropical, nos preocupamos em decidir qual aviãozinho comprar.

Para quê?

“Absolutely nothing!”



Escrito por Daniel às 02h27
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NUVEM

Esta noite sou uma nuvem sem forma acompanhando o rumo de um vento sul. Encubro uma Lua crescente que ilumina pensamentos e se esconde em mim. Deixo a velocidade me desfazer lançando um resto de consciência no ponto onde a matéria será mais uma vez luz. Sem identidade, sem as amarras de um amor egoísta ou de uma posse vil. Nem mais, nem menos, apenas um ponto de uma nuvem que se desfaz ao vento de emoções que rodopiam numa espiral insana.



Escrito por Daniel às 05h22
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GUERREIRO

Vitorioso ou derrotado

Apenas a vida lhe permite

A próxima batalha



Escrito por Daniel às 19h40
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