"Em nome do cientificismo, comportamentos pragmáticos e raciocínios técnicos, que atropelam os esforços de entendimento abrangente da realidade, são impostos e premiados. Numa universidade de 'resultados', é assim escarmentada a vontade de ser um intelectual genuíno, empurrando-se mesmo os melhores espíritos para a pesquisa espesmódica, estatisticamente rentável. Essa tendência induzida tem efeitos caricatos, como a produção burocrática dessa ridícula espécie dos 'pesquiseiros', fortes pelas verbas que manipulam, prestigiosos pelas relações que entretem com o uso dessas verbas, e que ocupam assim a frente da cena, enquanto o saber verdadeiro praticamente não encontra canais de expressão."
"Que fazer, quando, na própria Casa fundada para o culto da Verdade, a organização do cotidiano convida a deixar de lado o que é importante e fundamental?"
Após fugir da "Casa do culto da Verdade", também me pergunto: O que fazer? O que fazer? Você também Dri?
Um Esopo onírico, certa noite sussurrou-me um conto que começava assim:
‘A uva murcha caída sobre uma folha morta no solo úmido olhava para o cacho acima e pensava “Ela é tão túrgida e bela refletindo o sol desta manhã! Mas não sabe nada! Ainda está verde!”’
Em meio a declarações viscerais e emotivas de uma multidão reacionária, arbitrária e perdida em um discurso pseudo-intelectual procuro, antes de reagir, saber mais a respeito das variáveis que envolvem o que me estremece.
Leio no Título I, Dos Princípios Fundamentais, o art. 3.° da Constituição Federal, que estabelece que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”
Continuo e encontro no Título II, Dos Direitos e Garantias Individuais, Capítulo I, art 5º, XII: “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;”
Paro, respiro e penso: “Quero mais!”
Encontro entre relatórios perdidos do IBGE de 2003 uma análise do analfabetismo no Brasil com base em dados coletados em 2000 que havia aproximadamente 16 milhões de analfabetos no país. Considerando-se as pessoas com menos de quatro séries de estudo concluídas, denominadas “analfabetos funcionais” esse número sobe para aproximadamente 33 milhões. Segundo o “Popclock” do IBGE atualmente (2009) a população brasileira é de aproximadamente 192 milhões o que representa que aproximadamente 15% da população pode ser enquadrada como “analfabeta funcional” numa estimativa grosseira.
Contextualizando, diz o Grande Artista, a respeito de Marina Silva: “não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.”
Para analisar volto à consulta destacando o escrito e reproduzo definições do dicionário Houaiss online.
Analfabeto – “que ou aquele que desconhece o alfabeto; que ou aquele que não sabe ler nem escrever; que ou aquele que não tem instrução primária; que ou o que é muito ignorante, bronco, de raciocínio difícil; que ou aquele que desconhece ou conhece muito mal determinado assunto ou matéria.”
Cafona – “que ou o que revela mau gosto, convencionalismo ('apego ao que é convencional'), pouca sofisticação ou pouco trato social.”
Grosseiro – “de qualidade inferior; grosseirão; que denota imperfeição; malfeito, tosco; destituído de engenho, de finura; que denota indelicadeza, descortesia; que demonstra imoralidade, falta de decência; indecoroso, obsceno.”
Vou para o outro lado buscando mais informações a respeito da formação acadêmica do Grande Artista. Horas depois encontro que cursou filosofia, pergunto: Terminou? Tem graduação? Parou no ensino médio? Sua formação é mais importante que sua “obra”?
Pergunto mais:
Quando se referiu ao Presidente Lula como analfabeto, cafona e grosseiro pretendeu discriminá-lo por sua escolaridade, seu mau gosto, sua pouca sofisticação ou por sua qualidade inferior, sua falta de finura, sua indelicadeza, descortesia?
Caso seja esse o caso não estaria o Grande Artista, que se precisa se beneficiar lei Rouanet para realizar seus shows, violando um direito constitucional praticando a discriminação em pelo menos três de seus tipos? E a lei?
Em todo caso analfabeto ouve o Grande Artista e ainda tem direito a voto, embora Ele, o antônimo de sagaz, nem mesmo se importe com isso!
Salga-me o sal de teu mar e tuas ondas. Mais do que mortalha minha última amante com suas águas cálidas. Não de lágrimas, de um suor efervescente. Não vejo países, fronteiras, bandeiras. Não rezo em vão, não, não rezo. Nem busco noivas por casar. Desprendo-me da posse vã de corpos azulados. Embora já tenha procurado o amor, um pouco de paz e harmonia, almejo agora os ventos de tempestades furiosas. Corredeiras fortes e montanhas íngremes me atraem.
Alma? Não discuto metafísica em mesa de bar ou embalado por um ópio mofado em paraísos artificiais. Aliás, não me interesso por metafísica. Nem me iludo com as armadilhas da percepção. Procuro passagens míticas muito além de estreitos e cabos de tormentas. Em abismos mais profundos do que poderia imaginar. Onde não há copos vazios ou garrafas quebradas. Por trás de um espelho distorcido onde posso ver minha imagem como ela realmente é por trás das trevas que me inundam.
PÁSCOA 2009 - CHURRASCO'N ROLL - NO CENTRO CULTURAL RIO VERDE
Um dia de celebração com as Bandas "Fábrica de Animais" e "Saco de Ratos Blues" e muitos amigos, num lugar pra lá de especial o "Centro Clutural Rio Verde" (link aqui).
Com pessoas especiais, as fotos (link aqui) com flash feitas por Vivian Vianna.
Ando em círculos de fogo. O calor é quase insuportável. Sei que ficará insuportável. Destilarei meu próprio veneno sob forma de palavras ao vento. Morrerei por minha vontade, no limite do suportável. Como saída à dor lancinante meu aguilhão letal. Não à morte inevitável, sim ao ato de morrer, como uma ação da vontade no momento que escolher.
O olhar fixo à frente, gotas de suor escorrendo lentas pela testa. Pupilas divididas pelo horizonte. Ao redor, como um turbilhão de lanças e lâminas em uma luta ancestral, voam os problemas de uma vida caótica aparentemente ordenada. Uma caminhada insana em um limite claro de um lado as armadilhas dos desejos que se apegam à vida, do outro a eterna conselheira que espera uma chance para me mostrar as planícies muito além da morte. Não há um barco com condutor loquaz para entreter a viagem, nem um irmão de alma para depositar as moedas nos olhos adormecidos.
Em cada pequeno ato trilhando a fina lâmina entre a vida e a morte. Uma concentração avassaladora toma meu corpo reduzindo-o a nada. Desaparecem os contornos dos lugares em que me encontro restando apenas o ato. As horas se passam com uma lentidão eterna e não há vidro para proteger do vento. Não há dúvidas apenas uma ação que se conecta a outra em um fluxo ininterrupto. Sem tempo para uma reflexão racional sou apenas energia que flui de um centro que desconheço. Não importa o resultado tenho apenas a alternativa da rocha que se desprende da montanha rumar sem intenção para baixo.
Recentemente lembrei-me que possuía um lar perdido em algum lugar de minha vida. Sabia que precisava encontrá-lo e juntar-me mais uma vez a ele. Esparramar meus olhos por seus contornos sagrados, absorver sua paz. Desorientado soube que ali encontraria uma visão interior.
De costas no chão observei o teto. Controlei a respiração esvaziando a mente. Concentrei-me em um ponto e deixei os globos rodarem. Suportei a vertigem. Não via saída no beco de minha vida, mais uma vez como outras, mas diferente. Outra vez sentindo a sensação permanente do fio da espada. A um lado a vida sem saída, do outro a morte como saída definitiva.
Súbita mudança e apenas sentia ser um ponto, referência universal de mim mesmo. Ponto perdido em infinitas estrelas que espelhavam minhas faces caleidoscópicas. Meus sentidos perdidos em uma trama violenta de sedução e desejos. Depois apenas o nada. Nem ponto nem sentidos ou qualquer noção referencial. Apenas a certeza de que o que está dentro está fora.
Percebi, mais uma vez, que enquanto houver vida nunca será tarde para reinventá-la. Rearranjá-la segundo um novo padrão coeso ao universo desconhecido. Palavras inúteis desperdiçando energia. Como fluxo de uma cachoeira imaginária pressionando os desejos, aniquilando as certezas. Restando apenas a escolha de um dos infinitos caminhos que se espraiavam em uma teia ininterrupta. Assim perdi a violenta erupção de agressão gratuita. Larguei-me em meu sagrado silêncio.
“Dê-me um lugar para se firmar e um ponto de apoio para minha alavanca que eu deslocarei a Terra.” (Ἀρχιμήδης)
Do pasto a meus pés o odor da chuva. Brisa suave, mas fria. Tudo aparentemente quieto. As últimas gotas ainda caindo. Aos poucos outros odores se espalham vindo de toda a paisagem. Um sol fraco se insinua pelas nuvens. Sinto meu peso, não, meu corpo caindo quando toco a terra. Caminho carregando os filhos do pasto. Um suave roçar e vou ficando molhado. Mais odores, uma estação se inicia. É perceptível por todos os lados. Em uma folha mais verde que desponta de um ramo. No trinar mais forte de um tordo jovem. Na corrida nervosa de um roedor assustado.
As cores mudaram, os sons aumentaram, mas quem primeiro se manifestou foram os odores em muitos aromas. O cheiro do medo, o cheiro da fibra. Um desafio à frente que requer confiança, firmeza, dureza e um toque suave de arte. A vida por um fio, como uma teia imaginária. O olhar no horizonte sem perder a vizinhança. Despido da mente entregar-se ao fluxo que percorre e avança.
Um corte rápido, uma esquiva profana e a aproximação ao alento. Imobilidade dos corpos. Respirações pesadas buscando um descanso. Relaxamento. O quadril se desloca primeiro para baixo, depois para o lado, imperceptivelmente. Os calcanhares se fixam ao solo. Dois corpos são um, como os dois hemisférios de um cérebro latente. A respiração se acalma. O de cima não percebe, o de baixo apenas espera.
O que está no alto esboça um movimento, forte, determinado, cego como uma certeza. O que está embaixo respira e deixa seu corpo seguir o curso. De baixo, em velocidade vertiginosa, parte um corte. De cima apenas o esboço de uma morte. A lâmina que subira às alturas agora parecia descansar no horizonte. Ilusão. O descanso não existe, ela subia novamente em velocidade para cortar o cume.
Não vago infeliz pelos mares. Ao contrário urro feroz às vagas enormes de tempestades divinas. Portos são cidadelas a conquistar. A segurança está no mar ao sabor dos ventos e das correntes que conheço. Meu coração se abre em fúria para inimigos reais. Estou em guerra, não à margem da vida. Navego em seu veio central nas noites mortais. Tomo seus castelos imaginários e descarto a tristeza vulgar.
Lembro da castelã imaginária que vive em meus sonhos por apenas uma longa noite, como se fosse verdadeiro seu amor. Não importa mais o toque suave de suas mãos em minhas cicatrizes falsas, não. Apenas prefiro sonhá-la formosa com seu olhar triste ao horizonte do futuro. Muito aquém de onde aporta minha nau negra em porto duvidoso. Prefiro sabê-la a contemplar campos verdejantes de primavera. Pois eu, em minha eterna partida, não quero amarras a um passado confortável. Cavalgo ondas de incerteza em uma paisagem rude que não perdoa falhas.
Sem tempo para saber onde se perdem os sonhos sigo de batalha em batalha sem sequer saber se vitorioso ou derrotado, nem me importando o resultado. Monástico e solitário satisfaço-me com o conhecimento. Assim, sem pensar, encadeio uma ação à seguinte levantando as velas da nau negra para apanhar os ventos de guerra que me levarão para longe desses castelos abandonados da lembrança. Para onde há apenas o sonhar com regressos que jamais acontecerão.
Os grãos de tempo escorrendo entre os dedos, com eles o fluxo de uma vida. Incertezas brotando ao ritmo do embate de ondas emocionais empilhadas em compartimentos esquecidos. Sensações desconexas e perda de consciência momentânea. Erupções subconscientes. Taquicardia e o deserto sem areia. Uma sede insaciável que racha os lábios e resseca a mente. Sons difusos que desorientam sua origem. Uma ampulheta grotesca gerando ciclones em algum lugar. Ruído de fundo que antecipa uma mudança permanente. Eternidade entalhada no tempo. Vida dirigida em linhas equivocadas. Desvio de atenção.
Incomensurável força que atrai para a destruição certeira. O fim do tempo e do espaço. A incerteza final. Muito além da morte e da imaginação estática. No início o aumento exagerado da velocidade, depois a aniquilação total. O fim do universo conhecido. No limite de um horizonte de possibilidades onde singularidades estouram por toda parte. Nem azar, nem sorte, apenas probabilidades desfavoráveis ou não. Caminhos traçados em um misto de acaso, oportunidade e vontade em um mar de caos.
Frágil ordem estabelecida por uma lógica linear e contínua. A palavra como lei final. A existência como uma realidade insustentável. O primata despido de seus pelos e uma consciência que não lhe é exclusiva. Ordena o universo à sua volta e o define com a última palavra que encontrar. Um ponto de fuga, buraco negro.
Fábio Pagotto e Rick Vechione, with a little help of his friends Flavio Vajman e Paulo de Tharso, conduziram a cerinônia centralda celebração, , proporcionando sorrisos de alegria, surpresa e muita comemoração.
O resultado disso está aí embaixo, isso sim é que é celebrar um ano bom! Gracias!
A noite começou amena, com um pouco de vinho e amigos antecipando a festa.
Leitura de poemas do Diniz na Casa das Rosas e o lançamento de seu livro "Decalques".
Reencontro de amigos e uma saída rápida para o Teatro X.
Mais amigos e algumas doses entre mais conversas amenas.
E então a fúria, a tempestade anunciada. Os caras entraram com os amigos arrebentando tudo no palco.
Como diria o Linari "Quer me levar?", eu complemento, então me entenda. Não, não te devoro se não me decifrares, sou mais simples que isso. Apenas acelero e me mando para uma canto qualquer. Longe dos homens e de qualquer traço de humanidade. Curtindo o último Whysky e a garoa da cidade. Sozinho. Ouvindo os ecos da última música nesta noite de verão em sampa.