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Lançamento da oitava edição da Revista Lasanha, segunda-feira, dia 07 de julho
 
Segundo as palavras de MaicknucleaR "Após uma longa e dolorosa estadia nas profundesas de uma geladeira fria e sem alma, eis a volta da revista literária digital mais gostosa da internet...."
 
Só sei que apesar da geladeira ela vem quente com uma turma da pesada!
 
Alessandro "Robocop" Bartel - Angela Oiticica - Bárbara Lia - Beatriz Bajo - Caco Pontes - Cassiano Monteiro - Cassio Amaral - Célia Musilli - Cesar Ribeiro - Daniel "Danny Boy" Cavana - Daniel Faria - Diniz - Humberto "Bebeto Cicas" Fonseca - Jarbas Capusso Filho - Karina Abramovich - Larissa Tanganelli - MaicknucleaR - Marcelo Ariel - Márcio Américo - Mariana Hagnè - Me Morte - Natanael de Alencar - Nicole Louise - Paula Klaus - Paulo de Tharso - Paulo F - Pedro Pellegrino - Ricardo Carlaccio - Robson Araújo - Rogério Saraiva.
 
 
É isso!


Escrito por Daniel às 17h27
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PORTAL

Caminhou pelo vale aprazível rumo ao monte Vênus. Sabia que por trás daquele monte que se recortava suave sob o céu do amanhecer encontraria o portal. Serpenteou nas picadas que rodeavam o brejo procurando o ponto exato do vale sem saída. Ali, antes dos campos de capim e samambaia viu o forte reflexo da lâmina fincada ao chão banhada pelos primeiros raios do sol. A grande alma o esperava do outro lado. Para ele, senhor da vontade e da ação, este mundo desapareceria após a passagem em uma destruição imediata. Para quem o estivesse observando ele desapareceria deixando apenas um rastro que terminaria no ar quando a última partícula de areia caísse. A cada toque de seus pés no solo arenoso a destruição, ao levantá-los a vida desabrochando entre os grãos.



Escrito por Daniel às 02h08
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PORTAS

Superando os limites do suportável. Muito além de qualquer dor ou prazer. Bem ali, no domínio supremo da vontade. Um ponto se abre e uma nova percepção se desvenda. Sem julgamentos, sem preconceitos. O orgulho se desfaz como uma crosta envelhecida. Há apenas a ação. Como um trem carregado e desgovernado descendo a ladeira íngreme. Ou se está nele ou se sai da frente. Cada ponto de luz se torna um feixe trêmulo que passa velozmente e a cidade se desfaz em ritmos alucinantes que desconheço. Cada pensamento com a textura do som das ondas deslizando em areias quentes. Nesses meandros de luzes se encontram as portas que levam a outras portas numa viagem contínua e sem retorno.



Escrito por Daniel às 02h30
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ÚLTIMA FICHA

O Carcamano Irado ataca novamente e vem acompanhado por uma pá de gente. Sábado a partir das 15:30 no Satyros 2. E a Kate Blue vai estar lá.



Escrito por Daniel às 12h38
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CAMINHADA DE INVERNO

Sem me sentir nostálgico voltei pelas ruas nesta noite de inverno e uma música tocou-me a mente. Veio meio assim ao acaso em espirais suaves emergindo e vibrando em meu corpo. Ecoou pelas paredes confusas da memória e me acompanhou na caminhada.

Cuando ya me empiece a quedar solo

(Sui Generis, Confesiones de Invierno, 1973)

Tendré los ojos muy lejos
Un cigarrillo en la boca
El pecho dentro de un hueco
Y una gata medio loca

Un escenario vacío
Un libro muerto de pena
Un dibujo destruído
Y la caridad ajena

Un televisor inútil
Eléctrica compañía
La radio a todo volumen
Y una prisión que no es mía

Una vejez sin temores
Y una vida reposada
Ventanas muy agitadas
Y una cama tan inmóvil

Un montón de diarios apilados
Y una flor cuidando mi pasado
Y un rumor de voces que me gritan
Y un millón de manos que me aplauden

Y el fantasma tuyo, sobre todo
Cuando ya me empiece a quedar solo



Escrito por Daniel às 04h29
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CONTEMPLAÇÃO

Caminhara a manhã inteira, deixando para trás as alturas da Serra. Há muito o sol fustigava meu corpo sem compaixão e com um distanciamento atroz. Capricho da homesotase, transpirava com a fúria dos mananciais. Ao pé da Serra percebi, há alguns quilômetros da entrada da floresta, uma clareira em um carrascal fechado, pouco mais alto que eu. Ficaria protegido da inclemência dos açoites solares que esquentavam meu equipamento. Desfiz-me da mochila, tomei um gole de água. Pus-me a postos para observar, para espreitar como gostava de pensar. Dez minutos e entre os intervalos dos cantos das aves pude ouvir um suave roçar. Agucei os sentidos, todos, até aqueles que não conhecia. Um fluxo neural inundou todo meu corpo.  Surgiu então o predador. Silencioso, cauteloso. Poderoso em sua camuflagem e intenção. Sabia-o em busca de uma presa, impiedoso. Pude observar cada músculo que se contraía. A vida não é vontade de poder, pensei contrariando mais uma regra imposta por um raciocínio lógico. Naquele momento estava acima do predador, eu era mais que o poderoso e apenas contemplei. Só naquele instante pensei que a vida poderia ser apenas a possibilidade de contemplação da solidão de outras formas de vida em um universo árido. A fera se fora, recolhi minha mochila e caminhei para floresta. O dia chegava ao fim.



Escrito por Daniel às 01h28
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PERCEPÇÃO

A percepção se distorce abrindo portas que fazem a realidade cotidiana desaparecer. O que tinha limites precisos é levado a um ponto que carece das imposições limitadas de um materialismo obsessivo. Amplia-se o horizonte de possibilidades e as certezas são arremessadas a um turbilhão de caos. Linhas se sobrepõem a caminhos indefinidos com opções múltiplas. A factitividade em uma escolha, qualquer escolha que leve a uma mudança de estado. Perdem-se os eixos cartesianos dos opostos correlacionados. Reinam parâmetros não-lineares de múltiplas dimensões que se sobrepõem interpenetrando-se em padrões irreconhecíveis. Não há mais certeza, apenas fluxos de opções que se pode percorrer. A homeostase torna-se então uma ação de manutenção de um estado constante que se aferra com toda a força da atenção criando uma realidade palpável.  Caminha-se por essas ruas tortuosas da consciência disparando regras para todos os lados. A grande ilusão, nada é o que se percebe. Interpreta-se a partir de imposições forâneas para assumir uma certeza que não existe.



Escrito por Daniel às 01h43
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REVENGE

Corpos dançando. Um homem parado na multidão. Retaliação de um fígado morto. Payback, I’m ready. Pede desculpas, mas não volta atrás. O suor escorre sem parar e as batidas ritmadas embalam seus pensamentos. Corpos sinuosos lançando sombras. I’am mad, the big payback. Está pronto para a ação, mas espera contido acompanhando com os olhos os quadris que balançam ao ritmo de um baixo marcado. I gotta deal witnh you. Pensa olhando para a morena. Vapor alcoólico e suores hormonais. I’m ready.

Sai alucinado andando por ruas desertas, cruzando viadutos duvidosos. A morte à espreita em cada sombra, uma possibilidade real. Olhos atentos, narinas expandidas e o maxilar contraído. Passos cadenciados, firmes. A encruzilhada, ponto de referência aleatório de uma mente embriagada. Desfiladeiro de prédios cinzentos e luzes douradas. Pensou mais uma vez “I’m mad! I want revenge, the big payback”. Engatilhou a automatica e entrou no prédio.



Escrito por Daniel às 15h04
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MUJER IMPOSIBLE

No sé lo que me pasa, si es la Luna o un temporal solar. Puede ser cuando te encuentro inesperadamente por la calle, puede ser cuando sueño despierto y me doy cuenta que caminas entre la gente y veo tu sonrisa pasando en la cara de otra. Inesperado como un Pampero mi corazón salta al compás de un tango extraño. No me veo. Apenas busco tu mirada para ver el reflejo de tu sonrisa una vez más. Sos la mujer imposible, más allá de lo que pueda desear. Te busco por las noches en caminos solitarios y sueño con tus labios. Mujer imposible del exilio. Solo me queda desearte sin tenerte jamás.



Escrito por Daniel às 03h01
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KATE BLUE

Andou com um sorriso na multidão ensandecida.

 Tatuagens em sua pele branca.

A beleza de seus ombros.

Olhos chorosos e indignação.

Soluços entrecortados pelos sonhos roubados.

Tristeza pela decepção.

Vontade de acordar de um pesadelo que não era mais seu.

Essa noite eu te sonhei Kate Blue.

O calor de teu abraço.

Teus olhos nos meus.

E uma lágrima.



Escrito por Daniel às 12h21
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DENGUE

Aedes aegypti, ele ainda vai te sugar.

 

Entre mosquitos, suas larvas e sapos, fico com o processo de educação da população. Epidemias se controlam com educação e conhecimento, a partir daí é só aplicar as medidas profiláticas com esmero e seriedade. Esse é o único caminho. No entanto, apesar dos alertas dos especialistas da área de epidemiologia as administrações públicas (municipais, estaduais e federal), nada fizeram. Também nada fez a sociedade organizada ou ONGs e OSCIPs de defesa dos direitos humanos ou ecológicas. Portanto, pode-se dizer que a atual epidemia de DENGUE é um descaso, como tantos, da sociedade como um todo, pois, infelizmente, como tantas outras coisas, o responsável por isso é o OUTRO, não nós mesmos. Lembro quando, há, pelo menos, cinco anos eu propagava a idéia de que várias outras epidemias estavam por surgir e era visto como um louco, ou um chato que aborda temas que não são interessantes, isso mesmo que fosse em sala de aula nos três níveis. Por isso, bem-vinda seja a DENGUE, a primeira de tantas outras epidemias que se abaterá sobre a população nos próximos anos. O último a sobreviver que tome as devidas vacinas, se houver.



Escrito por Daniel às 17h35
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ECLIPSE

Mais uma noite e procuro destinos. Olho para uma Lua que começa a ser engolida por um Golem cósmico. Pouco a pouco, como uma digital enorme que se expande como uma ameba mística. As nuvens parecem prestes a encobri-la, mas um vento estranho, muito alto, as dispersa formando um círculo acima de minha cabeça. O silêncio se espalha por todos os lados. Os poucos ruídos soam abafados. A Lua cada vez menor em seu brilho pleno. Olho-a com detalhes, nunca me pareceu tão esférica. Lilith, estenderei meus braços em sonho esperando tua inevitável sedução.



Escrito por Daniel às 20h46
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DESCONCERTOS FEVEREIRO

Direto de Claudinei Vieira (“o Vierinha”, segundo Picanha)

 

O Desconcertos na Paulista deste sábado convida três jovens autores que agitam e desconcertam o cenário da moderna literatura brasileira. Escrevem, sua escrita ágil, direta, contundente, de altíssimo nível; agitam, mixam, experimentam vários níveis, ousam com música, webdesign, cinema, dramaturgia, artes plásticas; além de participarem ou serem diretamente responsáveis por duas das melhores revistas online de literatura da atualidade: MURO e LASANHA.

 

NICK FAREWELL, MAICKNUCLEAR, PAULO F.

 

no DESCONCERTOS NA PAULISTA - A VOZ DA PROSA

 

Sábado, dia 16 de fevereiro, 18:00,

CASA DAS ROSAS - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Avenida Paulista, 37 - ao lado do metrô Brigadeiro



Escrito por Daniel às 10h07
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VOLTA

Volto para casa pelas ruas amanhecendo. Na mente um caleidoscópio de cenas desconexas. Uma dança quase ritual entre sombras e espaços nas músicas. Toques suaves e distantes. Olhares atravessando o salão. Palavras não ditas. A explosão de uma luz azul acima da testa do lado esquerdo. Seu perfil de traços finos. Acompanho o contorno do nariz até as suaves covas ao redor de teus lábios. Uma buzina forte e evito sair da calçada. O carro passa veloz. As imagens de desfazem. Olho para os lados, atravesso a rua com as mãos nos bolsos. Ela gira ao meu redor deslizando fácil apesar dos passos incertos. Ameaça balançar o quadril, sorri tímida. O toque de sua mão que nunca mais estará. Sinto as promessas que não faremos. Todas as possibilidades se encerram nesses movimentos.  Jogo-me na cama, preciso apenas dissolver meu avatar.



Escrito por Daniel às 21h13
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CIDADE OCULTA

Às vezes quando volto para casa, nas madrugadas vazias, vejo luzes que passam rápido. Outras, apenas tremulam, ficam em seu lugar indicando a rota conhecida. Luzes que nunca se apagam na cidade da noite eterna. Passos firmes carregam meu corpo que vacila ante um vento imaginário que insiste em mudar de direção. Meus olhos não param de dançar captando tudo acima e abaixo, de um lado e de outro. Ouvidos atentos a qualquer ruído fora do normal à frente ou atrás. Nessas noites, que até mesmo o predador vira presa se vacilar, apenas caminho guiado pelas luzes indo a algum lugar. Apenas tenho a certeza que de manhã essa cidade não existirá.



Escrito por Daniel às 18h45
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